PROF. RITA ALONSO
PROF. RITA ALONSO
Fui convidada a ministrar uma palestra na Universidade.
Descobri que falaria para cinco turmas formandas. Fiquei um pouco apreensiva e insegura de início. Depois arquitetei aquele meu velho plano: chegar bem cedo, me misturar à platéia para sondar
O terreno inimigo.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir um super-herói disfarçado em professor.
Bem, mas deixa começar pelo começo para vocês entenderem bem esta cama-de-gato.
Fiz amizade com alguns alunos de administração. Pra falar a verdade foram eles que fizeram amizade comigo. Se aproximaram… Pois já haviam lido para programa do evento e alguns me reconheceram de outras palestras e cursos anteriores.
Estávamos numa deliciosa rodinha, quando tudo aconteceu, de repente, o silêncio crucial. Uma das alunas gritou: - Gente, chegou o Antonio!
Numa avalanche frustrante me passaram de centro das atenções para mera expectadora.
Pensei comigo: Quem será o tal Antonio?
Será o menino mais bonito?
O mais charmoso?
O mais “cabeça” da “facul”?
Será o Antonio Fagundes?
Será um avião?
Quando me deparei com o “Antonio”, não consegui assimilar direito o motivo de tanto entusiasmo.
Professor Antonio aparentava uns 50 ou 55 anos, embora eu pudesse jurar que por trás da roupa invisível de Super-Homem, o Antonio pudesse ter muito menos idade.
Vestia calça jeans surrada, blusão cáqui –talvez para esconder a grande barriga- e um óculos que pedia, a muito, outro mais moderno.
Eu e minha aguçada curiosidade feminina não poderíamos perder o motivo pelo qual o misterioso Prof. Antonio era tão popular.
Fiquei pensando que talvez todo aquele alvoroço se devesse a alguma prova recente que havia aplicado àquele turma e embaixo da sua capa de super herói estivesse trazendo as notas da meninada.
Sorrateiramente me aproximei e para meu espanto ouvi um rapaz lhe perguntando: -Prof. Antonio, e a sua esposa? Ela melhorou? Foi um resfriado forte?
Ainda me pergunto o porque do super-herói professor Antonio de Química ter tanto carisma com os alunos?
Descobri aquela figura tão pitoresca é queridíssimo pelos seus alunos.
Descobri que aquele super-homem, disfarçado em professor, ama a sua profissão e que faz valer a pena cada minuto do tempo de suas aulas.
Que leva a sério o dom de passar conhecimento.
Que tem anos de profissão, que respeita e é respeitadíssimo por todos.
Que acredita na amizade, no se doar, no persistir.
Que consegue ser camaleônico apesar do baixo salário de professor.
Que em sala de aula não se sente o senhor absoluto, dono da verdade.
Que fala de suas inseguranças e incertezas.
Descobri que o Clark Kent da universidade, com seus incríveis poderes só tem medo da kriptonita da gripe.
Parabéns Professor Antonio pelo exemplo de empatia que quero continuar a seguir e me espelhar!
Claro que abri a palestra dando parabéns ao grande e velho mestre que não me faz sentir única neste amor que sinto fazendo o que gosto: lecionar de verdade!
Um Abraço a todos e fiquem bem…
Prof. Rita Alonso

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